segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Um partido e sua contradição

Por Janes Jorge

     Interpretações demasiadamente tranquilizadoras cercam a história do Partido dos Trabalhadores, que nasceu da vontade popular e chegou ao poder ao liderar uma ampla aliança. Sua trajetória, contudo, é complexa. Basta observar que em 2005, durante o chamado mensalão, uma ocorrência frustrou tanto aqueles que detectavam nos êxitos eleitorais uma estratégia política vitoriosa quanto os que viam no partido uma mera máquina eleitoral. A mobilização espontânea das bases do PT, quando essas pareciam ter perdido importância, manteve o apoio do eleitorado no ano seguinte.
     Essa complexidade ajuda a explicar as 300 referências bibliográficas sobre o partido entre 1980 e 2002, segundo a Fundação Perseu Abramo. E um dos livros mais importantes a abordá-lo é o recente História do PT, do professor de História da USP Lincoln Secco (Ateliê, 320 págs., R$ 30). Ele divide a história do partido em fases que intitula formação (1978-1983), oposição social (1984-1989), oposição parlamentar (1990-2002) e partido de governo (2003-2010). Apresenta aspectos fundamentais da trajetória da legenda e questiona interpretações recorrentes sobre ela.
     O pioneirismo do PT como agremiação de massas é relativizado. Secco retoma o PCB, fundado por trabalhadores longe dos meios políticos tradicionais e que, no curto período de legalidade (1945-1947), foi ou esteve perto de ser um verdadeiro partido de massas. Segundo o autor, em 1978, era mesmo “difícil separar radicalmente sindicalistas do PCB e do futuro PT”. Mas o sindicalismo vinculado ao PT era contra o imposto sindical e combatia o atrelamento ao Estado, o que o distinguia dos comunistas. Havia também a recusa ao modelo político soviético.
Análise. Desde o ato inaugural, o mérito e também os problemas
     O historiador encontrou forte diversidade no partido. Enquanto em alguns locais o operariado dava o tom, em outros a força do PT vinha dos trabalhadores rurais ou de setores médios. Isso leva- à questão de como foi possível convergir forças de contextos tão diversos. Aqui, Lula parece central, ao lado da utopia que saturava o imaginário popular, da qual o PT, mais do que causa, foi consequência. Partido que defendia o socialismo e a democracia participativa, ele impôs dificuldades a Lula, sua grande liderança, demonstrando a validade de sua democracia interna. Em 1993, quando o Brasil fez o plebiscito para escolher presidencialismo ou parlamentarismo, o sindicalista e outros dirigentes defendiam este último, mas os militantes votaram pelo primeiro. Em 2002, Lula enfrentou prévias, pois para muitos sua vitória parecia impossível.
     O livro trata da formação e do funcionamento dos núcleos de base do PT, que perderam espaço para lideranças envolvidas em campanhas eleitorais profissionalizadas. Isso colaborou para a retração da militância e da própria cultura política naqueles anos 1990 marcados pelo desemprego, precarização do trabalho e avanço do neoliberalismo. Nesse contexto o autor procura explicar o “mensalão”, cujas causas recuariam para além de 2002. Embora predomine o tom crítico e às vezes pessimista quanto ao presente não só do PT, mas da esquerda brasileira, o livro registra os méritos do partido, bem como a dimensão ao mesmo tempo utópica e concreta da luta dos petistas. Traz o testemunho de quem viu o poder popular no estádio de Vila Euclides, a construção da resistência no campo ou nas periferias do Brasil, os encontros partidários e comícios de massa, o compromisso com as lutas populares. Ao ler a obra, fica nítido que compreender a história do PT é entender melhor a história recente do Brasil.

Resenha publicada na edição nº 662 da Revista Carta Capital

Privatas do Caribe: livro de repórter identifica esquema de espionagem tucano

Por Luiz Carlos Azenha*

     O novo livro de Amaury Ribeiro Jr., Privatas do Caribe, já foi entregue à editora. Acrescido de uma informação bombástica sobre o esquema de espionagem que teria servido ao ex-governador paulista José Serra desde 2008, inclusive no período eleitoral de 2010. Segundo Amaury, Serra recorreu a uma empresa de um ex-agente do Serviço Nacional de Informações, paga com dinheiro público.
     O Amaury garante que, desta vez, o livro sai: o lançamento será entre o final de outubro e o início de novembro.
     O trecho que li é muito bem documentado e, politicamente, devastador.
     Segue a abertura do livro:

     Privatas do Caribe
     A fantástica viagem das fortunas tucanas desde os porões da privataria até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas
     Amaury Ribeiro Jr.
     Prepare-se: o que está logo adiante não é uma narrativa qualquer.
     Você está embarcando em uma grande reportagem que vai devassar os subterrâneos da privatização realizada no Brasil sob FHC.
     Os porões da privataria.
     É, talvez, a mais profunda e abrangente abordagem jamais feita deste tema.
Mas que não se limita a resgatar a selvageria neoliberal dos anos 1990, que dizimou o patrimônio público nacional, deixando o país mais pobre e os ricos mais ricos.
     Se fosse apenas isso, o livro já se justificaria.
     Mas vai além ao perseguir a conexão entre a onda privatizante e a abertura de contas sigilosas e de empresas de fachada nos paraísos fiscais da América Central.
     Onde se lava mais branco não somente o dinheiro sujo da corrupção, mas também o do narcotráfico, do contrabando de armas e do terrorismo.
     Um ervanário que, após a assepsia, retorna limpo ao Brasil.
     Resultado de uma busca incansável de mais de dez anos do autor, Amaury Ribeiro Jr. — um dos mais importantes e premiados repórteres investigativos do país, com passagens por IstoÉ, O Globo, Correio Braziliense entre outras redações — o livro registra as relações históricas de altos próceres do tucanato com a realização de depósitos e a abertura de empresas de fachada no exterior.
     Devota-se particularmente a perscrutar as atividades do clã do ex-governador paulista José Serra nesse vaivem entre o Brasil e os paraísos caribenhos.
     Sempre calcado em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no ministério público e na Justiça.
     Assim, comprova as movimentações da filha do ex-candidato do PSDB à Presidência, Verônica, e as de seu marido, o empresário Alexandre Bourgeois.
     Que seguiram, no Caribe, as lições do ex-tesoureiro de Serra e eminência parda das privatizações, Ricardo Sérgio de Oliveira.
     Descreve ainda suas ligações perigosas com o banqueiro Daniel Dantas.
     Detém-se na impressionante trajetória do primo político de Serra, o empresário Gregório Marin Preciado que, mesmo na bancarrota, conseguiu participar do leilão das estatais.
     E arrematar empresas públicas!
     Estas páginas também revelarão que o então governador Serra contratou, com o aporte dos cofres paulistas, um renomado araponga antes sediado no setor mais implacável do Serviço Nacional de Informações, o extinto SNI.
     E que Verônica Serra foi indiciada sob a acusação de praticar o crime que, na disputa eleitoral de 2010, acusou os adversários políticos de seu pai de terem praticado.
     Desvinculado de qualquer filiação partidária, militante do jornalismo, Ribeiro Jr. do mesmo modo como rastreou o dinheiro dos privatas do Caribe, esteve na linha de frente das averiguações sobre o “Mensalão”.
     Seu olhar também visitou os bastidores da campanha do PT para averiguar os vazamentos de informações que perturbaram a candidatura presidencial em 2010.
     E sustenta que, na luta por ocupar espaço a qualquer preço, companheiros abriram fogo amigo contra companheiros, traficando intrigas para adversários políticos incrustados na mídia mais hostil à Dilma Rousseff.
     É isso e muito mais. À leitura.

     O Editor

*Jornalista

Matéria publicada originalmente no Blog Viomundo na internet

IV Caminhada Ecológica da Primavera


domingo, 11 de setembro de 2011

Sindicato é destaque no aniversário de Duque de Caxias

     Em mais uma ação comemorativa do cinquentenário do Sindipetro Caxias, a Reserva Ambiental dos Petroleiros foi destaque na página 7 da edição comemorativa do aniversário de Duque de Caxias em uma revista especial que circulou encartada nos jornais Extra e O Globo, em toda a Baixada Fluminense, no último dia 25 de agosto. Sob o título “Petroleiros em defesa do meio ambiente”, a matéria demonstra que os trabalhadores podem fazer muito mais do que simplesmente lutar pelos seus direitos enquanto categoria profissional, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a geração de uma nova fonte de renda para a comunidade. Veja abaixo a reprodução da página da revista.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Metalúrgicos do ABC conquistam aumento real de 5% em dois anos

Trabalhadores fecham a rua do sindicato para votação do novo acordo (Foto:  Raquel Camargo - SMABC)

     Os metalúrgicos do ABC paulista aprovaram acordo que garante 5% de aumento real à categoria nos próximos dois anos, uma novidade para a categoria, com um abono de R$ 2.500. Em setembro, os trabalhadores receberão reajuste de 10%, o que supera em 2,55% a inflação. No próximo ano, a elevação salarial levará em conta a inflação do período mais 2,39%, garantindo o total de aumento real acertado para 2011 e 2012.
     “Foi uma conquista difícil e importante para a categoria. Com esse acordo conseguimos garantir previsibilidade e nos calçar contra possíveis impactos da crise internacional em 2012”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, após a assembleia realizada neste domingo (28) em São Bernardo do Campo.
     De acordo com a entidade, dez mil metalúrgicos aprovaram a negociação com as montadoras Volkswagen, Ford, Mercedes-Benz, Scania e Toyota, que inclui ainda uma licença-maternidade de 180 dias. 
     Nobre avalia que o acordo válido por dois anos tem duas vantagens. Em primeiro lugar, caso a crise financeira da zona do euro e dos Estados Unidos se arraste, tendo efeitos forte sobre a economia brasileira, de todo modo o reajuste estará garantido. Além disso, não ter de entrar em campanha salarial em 2012 dará tempo para debater outras questões importantes para os metalúrgicos. O presidente do sindicato acredita que a desindustrialização provocada pelo crescimento das importações de veículos é o principal aspecto a ser estudado. “Temos de valorizar a produção nacional para garantir empregos de qualidade no Brasil.”