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domingo, 3 de julho de 2011

6 de Julho: CUT na luta por ganhos reais para os trabalhadores

Foto de Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Com informações da CUT

     No próximo dia 6 de Julho, quarta-feira, trabalhadores cutistas de todo o País irão se unir a tradicionais parceiros combativos – Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, Marcha Mundial de Mulheres e Central de Movimentos Populares – e paralisar atividades, atrasar a entrada em seus locais de trabalho, promover panfletagens e passeatas para defender um novo modelo de desenvolvimento em que todos conquistem ganhos reais com o crescimento brasileiro.
   A pauta definida pela CUT nacional aponta três grandes eixos: trabalho e sindicalismo (ganhos reais e cláusulas sociais nas campanhas salariais do 2º semestre; redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário; liberdade e autonomia sindical; fim do Imposto Sindical; combate às práticas antissindicais; fim do Fator Previdenciário; e combate à precarização e à terceirização); alimentação (reforma agrária, PEC do Trabalho Escravo; luta contra os agrotóxicos; e contra o modelo agrário atual) e educação (aprovação do Plano Nacional de Educação em 2011; valorização dos profissionais; e educação no campo).
     No Rio, uma passeata com concentração na Candelária, às 16h, tomará a Avenida Rio Branco até a Cinelândia.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Cabral: liberte os bombeiros do Rio de Janeiro

Bombeiros presos foram recebidos como heróis em Niterói
     Em que pese não apoiar a invasão do Quartel Central do Corpo de Bombeiros e defender apenas mobilizações pacíficas durante as campanhas salariais dos trabalhadores, não é possível concordar com a manutenção da prisão dos 439 bombeiros que reivindicavam o aumento de um salário aviltante para quem faz um trabalho tão importante para a população carioca. Embora tenham pesado um pouco a mão na invasão ao quartel, são trabalhadores que precisam levar o pão às suas famílias e não vândalos como afirmou o governador. Por isso, Cabral, liberte os bombeiros presos para que retornem às suas casas e retome imediatamente as negociações salariais.
     Grande parte da culpa pelo acirramento dos ânimos é do próprio governo estadual que vem arrastando há meses as negociações com esses trabalhadores. Outro fator determinante para esse tipo de ação é que os bombeiros são militares e não podem se organizar em um sindicato filiado a uma central, como a CUT, por exemplo, que investe na formação dos dirigentes sindicais.
     Independentemente do caminho a ser tomado pela campanha salarial dos bombeiros, é bonito ver a união e a solidariedade entre os trabalhadores que participaram das mobilizações da categoria e os que não participaram por estarem de plantão em seus postos de trabalho.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Combate à inflação não se faz com redução dos salários

Por Artur Henrique*

     As análises conservadoras realizadas pelo mercado financeiro e divulgadas pelos meios de comunicação vêm destacando os salários e seus aumentos reais como vilões da inflação. Todas essas análises pretendem deter as possibilidades de a recente melhora na distribuição de renda continuar se dando pelo aumento da massa salarial.
     Há pouco tempo, a obsessão dos conservadores se concentrava no aumento da taxa básica de juros como instrumento para deter a inflação. Com o recente relevo dado aos salários, a questão dos juros cede um pouco seu espaço, mas no fundo o caminho apontado por ambas as análises é igual. O controle da inflação deveria se dar, segundo essas visões, pelo aperto sobre os assalariados e trabalhadores como um todo, sem pedir sacrifícios principalmente para o setor financeiro.
     Esse conceito de que a inflação deve ser combatida cortando-se as conquistas salariais pode ocorrer de forma sutil, como a manchete da Folha de S. Paulo do último domingo: “Inflação terá pico durante disputa salarial”. O texto em nenhum momento ousa pregar claramente que os aumentos salariais de 2011 precisam ser menores do que os do ano passado, porém insinua que “quanto maior for o sucesso das campanhas salariais, mais difícil será o esperado retorno dos índices de inflação aos patamares desejados a partir do fim deste ano”. Como se se tratasse de fenômeno natural, acima das vontades e das disputas políticas.
     Outros podem ser mais explícitos, como o ex-ministro Mailson da Nóbrega em artigo publicado em abril na revista “Veja”. No final do texto, ele exorta o governo a “rever a política suicida de valorização do mínimo”. Em parágrafos anteriores do mesmo artigo, o ex-ministro especialista em inflação havia escrito que aumento real de salário deve vir acompanhado de aumentos de produtividade. Conclui-se, portanto, que ele não considera a defasagem do salário mínimo em relação aos grandes ganhos de produtividade observados no País desde a década de 1990, diferença que a atual política de valorização do salário mínimo só ajudou a amenizar. Há outras subjetividades no texto, mas aqui o que nos importa é a questão da inflação versus salário.
     O que queremos dizer em primeiro lugar, para nos contrapor a esse ataque concentrado aos salários, é de que é um absurdo tentar esconder que há outros fatores que pressionam fortemente a inflação, mas que jamais são citados por essas análises conservadoras.
     Lucro causa inflação. Distribuição de dividendos também pressiona a inflação. O fato de a estrutura tributária ser regressiva, punindo quem ganha menos, também causa inflação, pois os impostos incidem majoritariamente sobre o consumo e são repassados diretamente aos preços. A existência de setores oligopolizados, especialmente na indústria, faz com que a ausência de concorrência facilite o repasse para os preços de qualquer aumento nos custos. Os oligopólios também têm mais facilidade para aumentar margem de lucros. Não podemos esquecer também das tarifas públicas, muitas regidas por contratos indexados, que ajudam a ampliar os custos da produção e a pressionar a inflação.
     Querer tratar da questão inflacionária, e principalmente combatê-la, sem considerar essas variáveis é falso e mal-intencionado.
     Ainda assim, se considerarmos apenas a variável salário, podemos dizer com certeza que o debate que se dá neste momento através das análises conservadoras é absolutamente questionável. Segundo o Sistema de Contas Nacionais do IBGE, o consumo das famílias, em relação ao PIB, caiu entre 2009 e 2010, de 61,7% para 60,6%.
     Esse dado sinaliza que o consumo das famílias tem permanecido estável em relação ao crescimento do PIB – e até caiu de 2009 para 2010. O alarde em torno de uma explosão do consumo e de uma inflação de demanda é, então, falso. O “excesso” salarial é uma ficção.
     Já sobre o comparativo entre produtividade e aumento de salários, é importante lembrar que, a partir da década de 1990, quando tiveram início aumentos sucessivos de produtividade no Brasil, somente a partir de 2004 os salários apresentaram alguma trajetória de elevação. Portanto, a elevação salarial chegou com mais de 10 anos de atraso, deixando atrás de si um grande acumulado de aumento de produtividade.
     Como resultado, no período de quase 20 anos entre 1989 e 2008, a produtividade da indústria aumentou 84%, enquanto no mesmo espaço de tempo a renda média dos salários caiu 37 pontos.
     Outro argumento que usamos para refutar essa tentativa em curso de impedir aumentos reais de salários neste ano é, apesar de óbvio, normalmente “esquecido” pelos conservadores. Os aumentos de salário são sempre conquistados a partir da inflação acumulada nos 12 meses anteriores, ou seja, não são estipulados a partir de expectativa de índices futuros.
     Voltaremos ao assunto.


     Artigo publicado no Blog do Artur Henrique em 3 de maio de 2011.